segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A EDUCAÇÃO COMO EXERCÍCIO DA LIBERDADE - RESENHA: A Pedagogia do Oprimido – Capitulo Um




A EDUCAÇÃO COMO EXERCÍCIO DA LIBERDADE

‘’Quem inaugura a negação dos homens não são os que tiveram a sua humanidade negada, mas os que a negaram, negando também a sua.’’(Freire, 1968)

A sociedade contemporânea e o capitalismo nos proporcionaram um mundo pautado no utilitarismo e na opressão dos indivíduos. O produzir sem precedentes levou o homem ao fenômeno da desumanização. A violação dos homens implica na perda de consciência do individuo como ser livre e crítico. Tendo como resultado a constante alienação, que só é possível por ordem de um processo social onde a injustiça e a opressão permearam as relações humanas. Enganam-se os oprimidos quando pensam que a liberdade depende de se espelharem nos opressores, como possível caminho para libertar-se, tornam-se algoz de outros indivíduos criando uma distorção nas suas relações sociais. Paulo Freire aborda essas questões de maneira critica em seu livro  Pedagogia do Oprimido. Levando–nos a reflexão de como o sujeito é roubado de si tornando-se objeto de um sistema de relações superficiais e alienatórias.
Paulo Freire escreveu o livro Pedagogia do Oprimido durante seu exílio, no Chile, em 1968. Sua obra se tornou extremamente significativa na área da pedagogia e, é considerada a obra mais completa e importante de Paulo Freire. Traduzida em mais de 20 idiomas, tornou-se referência para o entendimento da prática de uma pedagogia libertadora e progressista. Sua obra tem como foco a verdade paradoxal das relações de violência no campo da reprodução do modelo vigente como prática educacional.
“Os que inauguram o terror não são os débeis, que a ele são submetidos, mas os violentos que, com seu poder, criam a situação concreta em que se geram os “demitidos da vida”, os esfarrapados do mundo.” (Freire, 1968)

A desalienação é como um doloroso parto, pois o homem que renasce para a realidade tal qual como ela é, e deve superar as contradições que atuam nas relações opressores-oprimidos. O homem que se liberta é aquele que supera a dicotomia entre objetividade e subjetividade. Marx através da dialética hegeliana  trata das contradições do desenvolvimento econômico e tecnológico tendo como resultando a inviabilização da expressão de liberdade humana. 
A educação é o único meio de restaurar a humanidade nos indivíduos oprimidos, portanto não deve ser elaborada pelos seus algozes opressores. Pois dessa maneira a educação proporcionada, ao invés de libertadora, projetaria a própria opressão. De fato, aquele que deveria ser liberto se transformaria num possível predador como sombra do opressor, a espreita de se tornar um deles, “deixar de ser menos, para ser mais”.  Segundo Freire a prática desta educação que liberta implica em dois momentos distintos, o primeiro na práxis, aonde os indivíduos oprimidos vão desvelando o mundo do opressor e comprometem-se com uma práxis transformadora, agindo em prol da humanização. O segundo momento é o da verdadeira revolução, pois, uma vez transformada essa realidade de opressão pela práxis libertadora, a realidade deixa de ser a do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens em processo de libertação. Ou seja, o segundo momento liberta os homens dos mitos e códigos criados para a manutenção das relações de injustiça.
De qualquer forma, a práxis não deve ser desvelada como puro ativismo, mas deve ser praticada e projetada como autêntica. Ou seja, a práxis deve ser pautada na consciência oprimida, pois é através dela que se inaugura ação e reflexão como uma unidade, agindo de maneira conjunta para uma educação transformadora. Por sua vez, a educação libertadora reconhece a dependência emocional e de caráter destrutivo que gera as relações de opressão social. Dessa maneira, a educação libertadora preza a independência do individuo através da reflexão e da ação consciente.

“Não se pode realizar com os homens pela “metade”. E quando o tentamos, a sua deformação. Mas, deformados, já estando, enquanto oprimidos, não pode a ação de sua libertação usar o mesmo procedimento empregado para a sua deformação” (Freire, 1968)

É necessário que o oprimido se conscientize de sua classe, e haja uma liderança revolucionária capaz de lutar pela constituição de uma nova realidade. Não basta alterar a política, a mudança deve ser de cunho profundo envolvendo as bases, a educação e a cultura. A revolução não pode excluir seu caráter pedagógico, o de criar indivíduos críticos, capazes de se reconhecerem como sujeito e não como objeto.  Portanto a ação transformadora prevê uma inserção lúcida na realidade, onde o individuo se torna  agente de sua história. Criando possibilidades de uma vida mais digna e justa. Essa pautada nos valores reais de solidariedade e humanização. Uma vida que prospecte a liberdade para criar e construir. Paulo Freire faz ativas considerações sobre o caráter eminente pedagógico da revolução.
           

BIBLIOGRAFIA

FREIRE, Paulo : A Pedagogia do Oprimido – Capitulo Um. 36º edição. Edto. Paz e Terra. 1968



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