A EDUCAÇÃO COMO
EXERCÍCIO DA LIBERDADE
‘’Quem inaugura a negação dos homens
não são os que tiveram a sua humanidade negada, mas os que a negaram, negando
também a sua.’’(Freire, 1968)
A sociedade contemporânea e o capitalismo nos proporcionaram um
mundo pautado no utilitarismo e na opressão dos indivíduos. O produzir sem
precedentes levou o homem ao fenômeno da desumanização. A violação dos homens
implica na perda de consciência do individuo como ser livre e crítico. Tendo
como resultado a constante alienação, que só é possível por ordem de um
processo social onde a injustiça e a opressão permearam as relações humanas.
Enganam-se os oprimidos quando pensam que a liberdade depende de se espelharem
nos opressores, como possível caminho para libertar-se, tornam-se algoz de
outros indivíduos criando uma distorção nas suas relações sociais. Paulo Freire
aborda essas questões de maneira critica em seu livro Pedagogia
do Oprimido. Levando–nos a reflexão de como o sujeito é roubado de si tornando-se
objeto de um sistema de relações superficiais e alienatórias.
Paulo Freire escreveu o livro Pedagogia do Oprimido durante
seu exílio, no Chile, em 1968. Sua obra se tornou extremamente significativa na
área da pedagogia e, é considerada a obra mais completa e importante de Paulo
Freire. Traduzida em mais de 20 idiomas, tornou-se referência para o entendimento
da prática de uma pedagogia libertadora e progressista. Sua obra tem como foco
a verdade paradoxal das relações de violência no campo da reprodução do modelo
vigente como prática educacional.
“Os que inauguram
o terror não são os débeis, que a ele são submetidos, mas os violentos que, com
seu poder, criam a situação concreta em que se geram os “demitidos da vida”, os
esfarrapados do mundo.” (Freire, 1968)
A
desalienação é como um doloroso parto, pois o homem que renasce para a
realidade tal qual como ela é, e deve superar as contradições que atuam nas
relações opressores-oprimidos. O homem que se liberta é aquele que supera a
dicotomia entre objetividade e subjetividade. Marx através da dialética hegeliana trata das contradições do desenvolvimento
econômico e tecnológico tendo como resultando a inviabilização da expressão de
liberdade humana.
A
educação é o único meio de restaurar a humanidade nos indivíduos oprimidos,
portanto não deve ser elaborada pelos seus algozes opressores. Pois dessa maneira
a educação proporcionada, ao invés de libertadora, projetaria a própria
opressão. De fato, aquele que deveria ser liberto se transformaria num possível
predador como sombra do opressor, a espreita de se tornar um deles, “deixar de
ser menos, para ser mais”. Segundo
Freire a prática desta educação que liberta implica em dois momentos distintos,
o primeiro na práxis, aonde os indivíduos oprimidos vão desvelando o mundo do
opressor e comprometem-se com uma práxis transformadora, agindo em prol da
humanização. O segundo momento é o da verdadeira revolução, pois, uma vez
transformada essa realidade de opressão pela práxis libertadora, a realidade
deixa de ser a do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens em processo de
libertação. Ou seja, o segundo momento liberta os homens dos mitos e códigos
criados para a manutenção das relações de injustiça.
De
qualquer forma, a práxis não deve ser desvelada como puro ativismo, mas deve
ser praticada e projetada como autêntica. Ou seja, a práxis deve ser pautada na
consciência oprimida, pois é através dela que se inaugura ação e reflexão como
uma unidade, agindo de maneira conjunta para uma educação transformadora. Por
sua vez, a educação libertadora reconhece a dependência emocional e de caráter
destrutivo que gera as relações de opressão social. Dessa maneira, a educação
libertadora preza a independência do individuo através da reflexão e da ação
consciente.
“Não se pode realizar com os homens pela “metade”. E quando o tentamos, a
sua deformação. Mas, deformados, já estando, enquanto oprimidos, não pode a
ação de sua libertação usar o mesmo procedimento empregado para a sua
deformação” (Freire, 1968)
É
necessário que o oprimido se conscientize de sua classe, e haja uma liderança
revolucionária capaz de lutar pela constituição de uma nova realidade. Não
basta alterar a política, a mudança deve ser de cunho profundo envolvendo as
bases, a educação e a cultura. A revolução não pode excluir seu caráter
pedagógico, o de criar indivíduos críticos, capazes de se reconhecerem como
sujeito e não como objeto. Portanto a
ação transformadora prevê uma inserção lúcida na realidade, onde o individuo se
torna agente de sua história. Criando
possibilidades de uma vida mais digna e justa. Essa pautada nos valores reais
de solidariedade e humanização. Uma vida que prospecte a liberdade para criar e
construir. Paulo Freire faz ativas considerações sobre o caráter eminente
pedagógico da revolução.
BIBLIOGRAFIA
FREIRE, Paulo : A Pedagogia do Oprimido – Capitulo Um. 36º edição. Edto. Paz e Terra. 1968
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