As Políticas Públicas no Estado neoliberal
Após a segunda
guerra até a final da década de setenta a social democracia foi capaz de manter
um capitalismo regulado conjunto com políticas assistenciais a população.
Contudo, a próxima década traria de volta o modelo liberal, tornava-se cada vez
mais complexo para o Estado a manutenção de um Estado interventor e assistencial. A questão das políticas públicas e
sociais envolve sempre questões de cunho político e demandas organizadas por
fatores socioeconômicos e culturais. Dessa forma, a implementação de políticas
publicas e sociais estão determinadas
pela cronologia, ou seja, pelo seu tempo histórico. O fracasso do Welfarestate
fez fazer valer aos Estados contemporâneos uma experiência diferenciada sobre a
as demandas sociais, pois a socialdemocracia se valeu de um Estado interventor
para alcançar as demandas públicas no contingente de bem-estar.
Vejamos de forma histórica
o funcionamento das políticas públicas em correlação com as políticas
econômicas de Estado. Para tanto é necessário partir da queda do laissez-faire
e da ascensão do keynesianismo pela social democracia.
A apropriação dos
ideais de Keynes pela socialdemocracia pode fazer valer a intervenção do Estado
na economia e nas políticas sociais. A queda do laissez faire e a participação socialista no governo suscitaram
políticas de bem estar social. A socialdemocracia adotou o “estado de
bem-estar” definindo seu papel como modificador de a interação das forças de
mercado, abandonando por completo o projeto de nacionalização. Em contrapartida
adotaram um tripé estrutural que era o seguinte: 1.o Estado estava responsável
pelas atividades não lucrativas para o setor privado, mas que erma de
necessidade para o giro da economia com um todo. 2. Ficava a cabo do governo regular as políticas de
funcionamento do setor privado. 3. O estado se responsabilizava a tomar medidas
capazes de propor o bem-estar-social aos seus cidadãos na luta em atenuar os
efeitos distributivos do mercado.
A partir de 1973 estabeleceu-se no mundo uma profunda recessão combinada
com baixas taxas de crescimento e altas taxas de inflação, o que fez com que os
neoliberais ganhassem espaço. O poder excessivo dos sindicatos e suas
reivindicações trabalhistas haviam afetado a acumulação capitalista, o que
gerou uma grave crise inflacionária. O remédio para esse problema era o de
adotar uma postura neoliberal, onde o Estado diminuía sua participação nas
relações econômicas, através da privatização de estatais, redução da carga
tributária sobre altos lucros e extinção de políticas de transferências de
renda. O estado
mediador passou a ser acusado pela crise do petróleo e a falência econômica que
a década de setenta assistiu. A elite econômica questionava a atuação do Estado
nas políticas sociais, pois não era de seu interesse. A fórmula neoliberal se
tornava o remédio para sair da crise, o Estado deveria se tornar parco para
gastos sociais e regulamentação econômica. Dessa forma, adentramos o século XX
com a perspectiva neoliberal de um Estado alheio as demandas políticas e
sociais.
Cada vez mais o
Estado se ausentou das políticas públicas, transferindo essa responsabilidade
para as ONGs que se proliferaram na década de noventa. O crescimento nas
demandas de políticas sociais e a ausência do Estado deram espaço efetivo para
a criação de inúmeras ONGs que tem como promessa auferir aos indivíduos
a plenitude e dignidade social. A ineficiência do Estado e o vazio de poder no
campo das políticas públicas geraram possibilidades de que as ONGs pudessem se
alimentar da miséria. A responsabilidade social, veiculada como valor moderno
ingeriu os problemas gerados pela exploração do capital, assim, distensionando os conflitos da luta de classes. Fenômenos estes que são assistidos com o fim
do estado de bem estar social e a ascensão do modelo neoliberal. O
neoliberalismo, na verdade, apenas aperfeiçoou os mecanismos de controle das
tensões sociais. As ONGs e a
responsabilidade social como valor moral a ser defendido são parte desses
mecanismos de controle. Dessa forma, o Estado não pode se omitir da massa,
pois é fato o desgastes social e os problemas gerados pela exploração do
capital. O Estado neoliberal ao transferir sua responsabilidade pública e social para outros, faz uso estratégico das
políticas sociais na reprodução de um sistema de exploração. Contudo, há a necessidade de que as políticas
públicas e sociais continuem a valer para as suas demandas. O que deve ser
explorado é a inserção do Estado nessas políticas,
que devem notadamente apontar para a
real causa dos problemas políticos e econômicos de maneira a construir de uma
sociedade plena capaz de superar as relações de produção e exploração por meio
do capital.
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